Os limites permeiam nossas vidas em todas as etapas e não é diferente na infância.

É através do limite que a criança entende o que é permitido ou não fazer. Aos poucos, a criança amplia sua percepção em relação a si mesma e ao outro, e começa a desenvolver relações com o mundo à sua volta, organizando melhor suas ideias, adquirindo maiores responsabilidades, entendendo, através de suas experiências, que o limite é uma manifestação de cuidados, zelo, organização e de respeito entre as pessoas. E, através desta compreensão, a criança se sente mais segura. Assim, o limite é essencial para que a criança sinta que tem alguém que se preocupe com seu bem-estar.

Dizer “não” é uma das maneiras de impor os limites, mas é muito importante que os pais saibam dizê-lo sem culpa e cientes de que um “não” bem colocado pode representar muitos “SIMs”, favorecendo a formação de um caráter saudável. Além de estarem preparando seus filos para inúmeros nãos que a vida oferece.

Em contrapartida, se não souberem impor limites necessários aos seus filhos, terão que fazer todas as suas vontades conforme desejarem. Vale ressaltar que a criança que não suporta ser contrariada, vai apresentar comportamentos para insistir em manter seus desejos realizados, tais como: birras, chantagens, teimosia até conseguir o que quer, sempre que achar necessário e tiver oportunidade.

É normal a criança resistir ao “não”, mas, quando o motivo deste “não” é esclarecido, facilita sua aceitação. A criança precisa entender as conseqüências dos seus atos. E, quando fica claro que o “não” é também uma medida de proteção, ela se sente amada. E, muitas vezes, o comportamento da criança que pode limites, nada mais é do que um teste aos pais, para se sentir protegida, amparada, segura e amada.

A hora certa de dizer “sim” e “não” deve independer do ambiente e da circunstância, pois a coerência determina a eficácia desta prática. Se a criança percebe que, em casa, os limites são estabelecidos e em outros ambientes e circunstâncias, não dificulta a compreensão com relação aquilo que, de fato, deve acatar.

A hora certa de dizer “sim” e dizer “não” deve ser no exato momento que o comportamento da criança pedir. Deixar para depois não resolverá a necessidade que o momento pediu.

A hora certa de dizer “sim” e “não” deve ser estabelecida em uma prática rotineira, pois haverá necessidade de se repetir inúmeras vezes os “sims” e os “nãos” para as mesmas finalidades. Então, não porque já foi dito ontem, que hoje não será necessário. A criança vai tentar, de qualquer forma, o alívio para a sua frustração, ou uma gratificação.

Neste processo, é importante, também, que, a medida do possível, fique bem claro o que se espera da criança. Ao estabelecer regras e combinados, envolva a participação da criança, valorizando sua opinião, estabelecendo juntos os critérios. Desta forma, se constrói uma relação de trocas, pois a criança percebe que é importante e faz parte de todo o contexto familiar e, assim, compreende melhor que o desempenho de um, pode contribuir no desempenho do outro. Que não só os filhos falham, mas os pais, também, pois nenhum de nós tem uma fórmula para acertar o tempo todo. Ao errar, é importante ressaltar o papel do erro em nossas vidas, que é de nos ensinar, pois, é através do erro, que se aprende! E, portanto, o erro não deve ser encardo como algo ruim…

Quando houver necessidade da criança ser repreendida, é muito importante que fique claro qual o comportamento que está sendo repreendido, para que ela possa entender que agiu de forma errada, mas não é uma criança errada. Ela deve se sentir aceita apesar do erro.

Impor limites necessários à criança é ensiná-la um caminho, é orientá-la por onde deve andar, é proporcionar o amparo e a segurança que ela precisa para se desenvolver.

Educar é um privilégio, sua prática, um ato de amor. Educar dá trabalho. Por isso, livre-se das culpas e do medo de errar, pois, mesmo não sendo fácil, aprendemos com os erros e só corrigimos, de fato, quem amamos.

A autora é psicóloga, com formação clínica e licenciatura, com especialização em psicologia clínica e escolar e atua há mais de 12 anos. Acompanhe as publicações da autora, também na sua Fanpage, com temática voltada à psicologia infantil.

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