Quando e onde realmente fazemos falta | Francine Tolentino

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Estes dias eu estava assistindo a um jogo da Chapecoense após a queda do avião. Naquele instante entendi por que tantas pessoas falam que no campo profissional ninguém é insubstituível. E realmente acredito que ninguém é. Isto não quer dizer que o trabalho não seja importante, muito pelo contrário, temos de valorizar o nosso labor, a origem do nosso sustento, sejamos donos de empresas ou funcionários, estejamos embaixo ou no topo. Não importa, temos de dar o nosso melhor e mais um pouco, não apenas pela competitividade do mercado de trabalho, mas para honrar cada centavo que recebemos de nossos patrões e / ou clientes. O que me chamou a atenção no caso do time da Chapecoense, é que felizmente, a máquina logo voltou a funcionar, os jogadores logo foram substituídos e o barco seguiu, como tinha de ser. Agora, um lugar onde o barco jamais seguirá do mesmo jeito, onde os jogadores jamais serão substituídos, é dentro de casa, na família deles, no coração das pessoas que eles amavam. Para os filhos, para os pais, para os amigos, esposas, enfim, onde eles eram e sempre serão únicos.

Acredito que a luta pelo pão de cada dia, pela materialização dos nossos sonhos é tão acirrada que as vezes acabamos não dando a devida importância para nossos verdadeiros tesouros: As pessoas que fazem parte do nosso círculo de amor. Aquelas pessoas que muitas vezes só vemos no final do ano, nas festas natalinas, que torcem e rezam por nós, que mesmo a distância nos carregam em seu peito. Aquelas que apreciam a nossa companhia, que nos admiram independente de quantos gols fazemos. Carregam nossa foto na carteira e o nosso abraço nas suas melhores lembranças.

Em minha opinião, temos de ter cuidado para que a nossa dedicação, a nossa busca para a conquista de bens materiais, para realização dos nossos próprios sonhos, não nos faça esquecer onde realmente somos heróis independentemente dos resultados que trazemos. Não sabemos quando nosso avião irá cair, quando uma ligação poderá nos dar uma péssima notícia, portanto acredito que nossa meta deve sim sermos cada vez melhores como profissionais, devemos lutar com unhas e dentes para o nosso progresso, por uma vida melhor para nós e para os nossos, mas não esquecendo dos nossos princípios, por quê e por quem estamos lutando, a quem realmente devemos agradar e de onde deve vir o mais importante aplauso.

(*) Francine é bacharel em Logística pela UNIVALI com MBA em Gestão de Negócios Internacionais e Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas

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