Argúcia Feminil | Diene Paula Figueiredo

0
105

O Ministério do Mimimi adverte: este texto é contraindicado em caso de suspeita de analfabetismo funcional ou intolerância a interpretação de texto. Se persistirem os sintomas, um professor deverá ser consultado.

O Ministério do Conhecimento adverte: pensar pode causar danos irreversíveis ao cérebro como: aumento da inteligência, conhecimento intelectual e moral e crescimento pessoal, assim como evita que você passe vergonha.

Aviso importante: este texto não deve ser usado para alimentar o ego, essa narrativa evita infecções e alergias relacionadas a todos os tipos de “ismo” e é recomendado para quase todas as faixas etárias.

É vedada a indicação, por qualquer meio, a pessoas com hipersensibilidade à verdade.

O Ministério da Sabedoria adverte: este texto pode causar satisfação e contentamento, não o utilize em casos de ignorância, burrice crônica ou faniquitos.

Eu cresci ao lado de mulheres fortes, mãe, tias, avós, bisavós e todas muito inteligentes e espertas, e claro, todas elas tinham maridos provedores e exigentes. Lembro-me de uma noite em que estava eu na casa da minha avó e minha tia recebia o namorado, como de costume, toda sexta-feira, às vinte horas em ponto, na sala de visitas, acompanhada pelo meu avô, e nesse dia, o namorado dela decidiu que viveria perigosamente e pediu para sair com minha tia para uma festa ali nas redondezas mesmo. Meu avô, imediatamente, firme, respondeu simplesmente: Não. Minha tia, inconformada, foi reclamar com minha avó, na cozinha, que passava o tal perfeito cafezinho para o convidado, afinal, minha tia tinha 23 anos, trabalhava e se quisesse, poderia sair da casa dos pais e se sustentar perfeitamente bem (isso só aconteceu depois do casamento, não por que ela era submissa ao pai e sim porque o respeitava) minha avó, como sempre, calma, a escutou e disse que se calasse, pois, ela daria um jeito. Quando minha avó voltou para sala, serviu o café e se sentou, confortavelmente, ao lado de meu avô que, carrancudo, fingia ler o jornal e perguntou: você está aborrecido, querido? Aconteceu algo na minha ausência que o desagradou? Meu avô, imediatamente se levantou, todo empertigado e disse: por favor, me acompanhe até a outra sala, e saiu pisando duro, minha avó deu uma piscadela para minha tia sentada no outro sofá e o acompanhou. Na outra sala, eu espiava os dois pelo vão da porta escondida, (não me orgulho dessa parte), pois, naquela época criança sabia que conversa de adulto era somente para adulto. E eu via meu avô contar para minha avó o acontecido, indignado com a ousadia do rapaz, quando meu avô terminou, minha avó começou dizendo: não acredito nisso, meu bem, que rapazote desaforado, mas, pensando por outro lado, nossa filha é maior de idade e eles também não necessitam de nossa permissão para sair e, mesmo assim ele veio até você, querendo ou não, ele demonstrou muito respeito para com você, sinal que ele te admira e zela pelo bem estar de nossa filha e família. Talvez ele mereça um crédito, não acha? Meu avô, visivelmente menos irritado, pensou por alguns instantes, e respondeu que, talvez, sim, mas que, jamais iria voltar atrás com sua palavra.

Minha avó, muito da esperta, na hora o responde: claro, querido, jamais, sua palavra é lei aqui em casa, mas, em vez de você voltar atrás na sua palavra, você poderia falar ao rapaz que como você é um bom pai e esposo, você atenderia um pedido meu e permitiria que a nossa filha o acompanhasse nessa festa, desde que voltasse em hora determinada, apesar da sua extrema antipatia pela ideia você permitiria dessa vez. (veja bem, não quero em nenhum momento que vocês pensem que os homens são burros ou manipuláveis, apenas que eles foram naturalmente programados para enxergar primeiro o perigo, é um resquício de épocas mais remotas onde a sobrevivência do homem e de sua família dependia disso).

Meu avô adorou a sugestão, e assim, minha tia saiu com seu namorado.

Agora, lendo inúmeras reportagens sobre a nossa primeira dama, desde as que a elogiam por sua inteligência e trabalhos voluntários, as que a criticam por sua vestimenta ou por ser completamente submissa ao marido (fontes: a vizinha me contou e, se tá na internet é verdade) fico me perguntando por que as mulheres que se julgam tão feministas e tão em prol da sororidade ficam atacando outra mulher por suas escolhas. Não vemos homens diminuindo outros homens por que um é pedreiro e o outro doutor, não vemos homens menosprezando as escolhas de outros homens e julgando-as como mais importante ou menos importante, mas as mulheres, sim, essas sabem exatamente como ofender e diminuir seu próprio sexo, as mulheres, sim, estão sempre a pedir respeito, mas são as primeiras a protestarem nuas em praças públicas, essas sabem bem como inferiorizar a outra por que a mesma escolheu ser uma dona de casa e cuidar de seus filhos (afinal quem pariu os teus, que os embale), ao invés de ir lutar contra os homens no mercado de trabalho. Eu escuto bem assim, eu trabalho fora, pois assim tenho meu dinheiro, compro roupas, sapatos etc., e as mulheres que optaram a trabalharem somente em casa, por acaso, andam peladas e descalço?

Acho engraçado que essas mulheres que se acham grandes feministas e filósofas do mundo virtual, ridicularizam as outras por passarem o dia todo fazendo exatamente àquilo que elas mesmas terão que fazer quando chegarem em casa depois de um dia exaustivo de trabalho no mundo lá fora, terão que limpar a casa da mesma forma, terão que fazer as refeições da mesma forma, e ajudar os filhos com a lição de casa da mesma forma, a única diferença é que terão menos tempo para realizar as mesmas tarefas.

Então, fico pensando: minha avó conseguia tudo o que queria com o mínimo de esforço e aborrecimento, ela era muita da esperta e inteligente sim ou com certeza?

Nós, mulheres, precisamos parar de nos apoiar em ideologias burras que só nos prejudicam, e aumentam nossas funções e cargos tentando nos transformar e igualar ao sexo oposto, não é e nunca seremos iguais, ponto. Eu me orgulho de ser o sexo frágil, de levar sempre a sacola mais leve, de ter um cavalheiro para abrir minhas portas, de fazer os trabalhos que necessitam mais de inteligência que de força, de ter a fama de estar sempre cheirosa, de ser a rainha do lar, e até de ganhar menos por não conseguir fazer com a mesma excelência serviços masculinos, eu jamais conseguiria descarregar um caminhão de cimento, é justo que eu ganhe igualmente por um trabalho que eu não consigo realizar somente porque me sinto inferiorizada perante a força e os músculos masculinos?

A como dizem por aí: Me poupe, se poupe e nos poupe por favor, mulheres vamos usar mais a inteligência menos o ego, mais a delicadeza menos a arrogância, mais a sensualidade que a sexualidade, mais a cabeça que os seios, mais a competência que palavras sem sentido, a primeira dama foi só um exemplo, ela e muitas outras mulheres são ofendidas e diminuídas por que optaram por não evacuar e urinar em cartazes ou a enfiar crucifixos em orifícios, (até rimou). Vamos dar valor as diferenças, se todos escolhessem iguais estaríamos vivendo em um mundo onde só teríamos uma única profissão, somente advogados não apagam incêndios, somente bombeiros não fazem cirurgias, somente médicos não recolhem o lixo.

Somos diferentes, somos especiais, somos feitos um para o outro, é um encaixe perfeito.

Como diz minha mãe: Mais cego é aquele que não quer ver.

A autora é formada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), licenciada em Normal Superior, pós-graduada em Educação Especial com ênfase em “Atendimento às Necessidades Especiais” pelo Instituto de Estudos Avançados e Pós-  Graduação (ESAP) e membro do Movimento Conservadorismo Estudantil (MCE).

Quer escrever para a autora? E-mail: 
dienepfigueiredo@gmail.com

Seu comentário é importante para nós...

Deixe uma resposta