Aedes Aegypti: um fantasma a assombrar em tempos de pandemia de Covid-19

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Em tempos de pandemia de Covid-19, o Município de Itajaí vive a realidade de outro fantasma que vem assombrando: o aumento de focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. A cidade, segundo informação de profissionais que preferiram não se identificar, está infestada. Segundo informações da Prefeitura de Itajaí, apenas neste mês, foram registrados 94 casos positivos de dengue, sendo 76 autóctones (contraídos no Município), 11 importados, 4 em investigação do local de transmissão e 3 casos indeterminados.

Um número que representa aumento de 38% em relação ao ano passado, quando foram registrados 68 casos de dengue. Atualmente, a principal forma de prevenção é o combate aos mosquitos – eliminando os criadouros de forma coletiva com participação comunitária – e o estímulo à estruturação de políticas públicas efetivas para o saneamento básico e o uso racional de inseticidas.

Por isso, além das visitas de orientação nas casas, um mutirão de limpeza está sendo realizado nos bairros para reduzir a quantidade de focos do mosquito. A partir da próxima segunda-feira (4), o mutirão de limpeza organizado pela Secretaria de Obras passará pelo Cordeiros – local com maior número de casos.

Até o momento já são 35 casos registrados no bairro, principalmente nas localidades do Jardim Esperança e Jardim Progresso. A ação da Secretaria de Obras começou no bairro Cidade Nova e já recolheu 248 toneladas de entulho. “Para reforçar as atividades de prevenção contra dengue, vamos deslocar o mutirão de limpeza do Cidade Nova para o bairro Cordeiros, onde mais casos.

Infelizmente, teremos que realizar esta intervenção devido ao descarte incorreto de materiais em terrenos baldios”, comenta Sergio Rodrigo Rebelo Bang, diretor executivo da Secretaria de Obras. Os moradores do Jardim Esperança e Jardim Progresso devem descartar os entulhos em frente de casa para recolhimento da Secretaria a partir de segunda-feira (4).

Além do mutirão, os agentes de combate a endemias do município estão atuando diariamente para conter a proliferação do mosquito e evitar novos casos de dengue na cidade.

No bairro Cordeiros, por exemplo, já foram realizados bloqueios com aplicação de inseticida UBV para diminuir a infestação de mosquitos adultos. “Esta semana as chuvas iniciaram e isso se torna uma preocupação a mais, pois se existirem recipientes expostos eles irão acumular água, gerando novos focos. Pedimos que a população faça sua parte, eliminando materiais com água e aqueles que possam acumular, além de não jogar lixo em terrenos baldios”, reforça Lúcio Vieira, gerente de Controle de Zoonoses.

Os bairros Cordeiros e Fazenda são os mais afetados pela doença até o momento, com 35 e 28 casos registrados, respectivamente.

Causa

A dengue é causada por um arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) que se apresenta em quatro tipos diferentes: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Atualmente os quatro sorotipos circulam no Brasil intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente não atingidas ou alteração do sorotipo predominante.

Transmissão

O vírus é transmitido pela picada de mosquitos da espécie Aedes que também são responsáveis pela transmissão da chikungunyafebre amarela e Zika.

Sintomas

A dengue pode ter diferentes apresentações clínicas e de prognóstico imprevisível. Os primeiros sintomas aparecem de quatro a 10 dias depois da picada do mosquito infectado. A doença começa bruscamente e se assemelha a uma síndrome gripal grave caracterizado por febre elevada, fortes dores de cabeça e nos olhos, além de dores musculares e nas articulações.

Durante a evolução da doença, destacam-se três fases: febril, crítica e de recuperação. Na fase crítica da dengue (entre o terceiro e o sexto dia após o início dos sintomas), podem surgir manifestações clínicas (sinais de alarme) correspondentes a uma complicação da doença potencialmente letal chamada dengue grave (conhecida anteriormente como dengue hemorrágica), que aparecem devido ao aumento da permeabilidade vascular e da perda de plasma, o que pode levar ao choque irreversível e à morte.

Os sinais clínicos de alarme da dengue grave são: dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; hipotensão postural e/ou lipotimia (tonturas, decaimento, desmaios); hepatomegalia dolorosa (aumento de tamanho do fígado); sangramento na gengiva e no nariz ou hemorragias importantes (vômitos com sangue e/ou fezes com sangue de cor escura); sonolência e/ou irritabilidade; diminuição da diurese (diminuição do volume urinado); diminuição repentina da temperatura do corpo (hipotermia); e desconforto respiratório.

Uma infecção curada de dengue confere ao paciente imunidade contra o tipo de vírus responsável. Por existirem quatro tipos diferentes de vírus, para estar totalmente imunizado, é necessário ter tido contato com todos eles. Caso contrário, a cada contágio com um novo tipo de vírus, os sintomas são mais intensos e o risco de desenvolver a dengue grave é mais alto.

Diagnóstico

O diagnóstico da dengue é feito comumente mediante sorologia para determinar a presença de anticorpos contra o vírus no sangue, mas não determina especificamente qual tipo de vírus é responsável pela infecção. Métodos de biologia molecular mais elaborados podem ser utilizados para detectar as proteínas do vírus.

Tratamento

Não existe tratamento específico para dengue. Os cuidados terapêuticos consistem em tratar os sintomas: combater a febre e, nos casos graves, realizar hidratação por via intravenosa. O atendimento rápido para a identificação dos sinais de alarme e o tratamento oportuno podem reduzir o número de óbitos, chegando a menos de 1% dos casos.

Prevenção

Desde o fim de 2015 a primeira vacina contra dengue foi registrada em diferentes países para ser usada em indivíduos de 9 a 45 anos vivendo em áreas endêmicas ou de risco. A OMS recomenda que os países considerem a introdução da vacina contra dengue apenas em zonas geográficas onde os dados epidemiológicos indicam um alto índice da doença. Outras vacinas com diferentes tipos do vírus se encontram em período de desenvolvimento. De modo geral as vacinas têm mostrado uma efetividade muito variável (entre 50% e 80%) dependendo do tipo de vírus que causa a infeção, do tipo de indivíduos vacinados e do local onde tem sido implementada; igualmente o tempo de duração da proteção está sendo estudado.

Atualmente, a principal forma de prevenção é o combate aos mosquitos – eliminando os criadouros de forma coletiva com participação comunitária – e o estímulo à estruturação de políticas públicas efetivas para o saneamento básico e o uso racional de inseticidas.

Dengue pelo mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 4 bilhões de pessoas estejam vivendo em áreas com risco de infecção pela doença. Anualmente, 390 milhões de casos são registrados no mundo, dos quais 96 milhões se manifestam clinicamente. A dengue afeta 128 países e é considerada uma doença negligenciada pela OMS.

Na região das Américas, a doença tem se disseminado com surtos cíclicos ocorrendo a cada 3/5 anos. No Brasil, a transmissão vem ocorrendo de forma continuada desde 1986 registrando o maior surto da doença em 2013, com aproximadamente 2 milhões de casos notificados.

Fontes: Médico Sem Fronteiras | https://bit.ly/3bMd5Xm

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