Mudança Ministerial

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* por Célio Furtado

Escrevo em pleno momento de mudança no Ministério da Saúde do Governo Bolsonaro. Um momento relativamente tenso no cenário político nacional, onde, pelo menos duas posições se digladiam de um modo intenso. Pesquisa publicada, hoje, aponta que 64% dos brasileiros não concordam a saída do ministro Mandetta, um número significativo. A figura do médico Mandetta conquistou a muitos por sua inteligência, sua seriedade e sua admirável capacidade de comunicação com o público.

Cada entrevista coletiva era um show de elegância e de persuasão, em torno de um tema sombrio envolvendo a pandemia do Coronavirus-19, uma praga mundial, com vítima em todos os recantos do planeta Terra. Não sou especialista em Saúde Pública, muito menos em Epidemiologia, porém, penso que entendi, ao meu modo, as divergências existentes entre o Ministro e o Presidente da Republica.

Ambos têm as suas razões, porém, quem manda é o Presidente Bolsonaro, portador de uma votação majoritária de 57 milhões de votos. Venceu, sendo então, o titular do executivo, o “dono da caneta”. Colocou em seu lugar, um médico renomado, homem experimentado na ciência e nos negócios e, bem como ele afirmou, é “perfeitamente afinado com o Bolsonaro”.

Vamos torcer pelo seu sucesso, pois todos nós, brasileiros, queremos nos livrar desse angustiante problema, o mais rápido possível. Poderíamos explorar um pouco mais, os antecedentes ou as raízes da crise.

Sabemos que o Presidente, apesar do grande capital de votos, um prestigio decrescente, legitimado por um percentual, hoje, de 33% dos eleitores, tem um estilo que confunde a todos. Uns diriam que é um populismo de direita, uma nova forma de governar, baseada num estilo voluntarioso, algo assim, espontâneo, falando, muitas vezes, o “que lhe vem à cabeça”. Por exemplo, a atitude dele, pública, diante da pandemia, foi desrespeitosa, diante dos preceitos orientados pela OMS, Organização Mundial da Saúde, e, convenhamos, diante do senso comum.

Era visível a contrariedade entre as autoridades da Saúde Pública e a conduta leviana de Bolsonaro, com se fosse um adolescente rebelde em uma sala de aula. Outra interpretação poderia indicar gestos e atitudes pensadas e estudadas, tentando expressar o que seria o modo brasileiro do “povão”, insistindo na necessidade de abrir empresas, de manter a vida normal da economia, correndo os riscos.

Os exemplos do mundo contrariam essa tese, entre eles os sinistros ocorridos em países europeus, e, de um modo trágico, nos Estados Unidos, do seu guru, Trump. Além do mais, persiste Bolsonaro em desqualificar o Congresso, os Governadores e Prefeitos, o STF, tentando, através de fakenews requintadas, produzidas em laboratório, induzindo nas mídias sociais a rebelião contra a normalidade democrática.

Bolsonaro fez um primeiro ano de governo medíocre, o PIB cresceu 1%, bem menos do que governo anterior de Michel Temer. Um desperdício de capital politico, era ungido e vitorioso mas não soube mobilizar adequadamente os investidores para uma nova arrancada para o desenvolvimento econômico.

O momento agora é um esforço nacional, cidades, estados, federação afinados na luta pela saúde pública. Vamos acreditar na mudança ministerial!

(*) O autor é Consultor empresarial e comunicador.
celio.furtado@univali.br

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