Maio Preoucupante

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* por Célio Furtado

Iniciamos o mês de maio, inseguros e pessimistas diante de um cenário permeado de incertezas. Há receio por toda a parte, pessoas assustadas, amedrontadas diante da possibilidade da contaminação, do terrível contágio que não escolhe idade ou condição social.

As imagens de covas e sepultamento coletivo lembram-nos, diariamente, que o perigo ronda por toda a parte. Usar máscaras, assepsia, limpeza e proteção radical são mínimas coisas que podemos fazer. Agora e sempre devemos ter muita fé, muita disciplina pessoal, caridade e solidariedade, além, naturalmente, de uma fé na ciência e tecnologia.

O conhecimento humano poderá salvar o mundo, mas Deus é maior, é “justo e perfeito”. Paralelamente ao drama da pandemia, vivemos a incerteza institucional, provocada por um Presidente da República, despreparado, inapto ao poder, respaldado, porém, por um terço (33%) de eleitores, seguidores leais, cuja exaltação lembra, facilmente, o fanatismo político, feroz, irracional e violento.

O atual Presidente tem alguns atributos que prejudicam visivelmente o seu desempenho enquanto chefe do executivo. Bolsonaro tem uma capacidade limitada de percepção da realidade, é profundamente autoritário e impetuoso e descontrolado. O resultado de 1% do crescimento do PIB, no ano passado, não surpreendeu ninguém.

Bolsonaro tinha “a faca e o queijo na mão”, e desperdiçou quase tudo, com trapalhadas atrás de trapalhada, puxando brigas desnecessárias, e, agora, procura se defender, pois, de fato, seu governo corre sério risco de não chegar ao fim. Essa última manifestação em Brasília, onde ele desfilou com as bandeiras de Israel, Estados Unidos em Brasil, mostrou um grande desatino.

O Presidente da Republica está comandando uma desobediência civil, algo que agride o bom senso. O mercado percebe o despreparo evidente no cotidiano da presidência. Há uma fuga do capital, a reação é a desvalorização cambial e altas taxas de juros. O acerto com o Centrão, para quem dizia que era contra o “toma lá dá cá”, representa uma guinada para blindar sua família e sua posição no Congresso.

Numero crescente de óbitos, desemprego, a pressão financeira sobre as empresas vai se elevando, levando muito delas à insolvência e a pedidos de recuperação judicial. . A divida, interna, deverá aumentar para quase 100% do PIB, exigindo taxas de juros maiores e cortes mais severos nos gastos correntes.  Essa pandemia lembrou a todos a importância do Estado em sustentar a economia diante da crise.

O pensamento neoliberal foi abalado, com a concepção de “Estado mínimo”.  Mais do que nunca precisamos de um entendimento nacional, um plano consistente para a saída da crise, administrando a dívida pública com competência, seriedade e credibilidade interna e externa.

Tenho escrito em muitos artigos em O TEMPO, sobre o aspecto psicológico e subjetivo da economia real que depende sempre de expectativas favoráveis, dentro do que se denomina percepção da segurança nos contratos, nos acordos assumidos e na transparência.

O atual governo tem sido alvo de muitas desconfianças, não somente no campo ambiental. Bolsonaro não inspira confiança e respeito do mundo politico e financeiro, afastando os bons investimentos. Maio preocupante!

(*) O autor é Consultor empresarial e comunicador.
celio.furtado@univali.br

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