Fé no Brasil – Faxina Cívica | Célio Furtado

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Inicio mais um artigo, entusiasmado com a possibilidade de poder me comunicar com os leitores do “O TEMPO”, podendo compartilhar ideias sobre a conjuntura. Escrevo nesse feriado de Tiradentes, um dia significativo para todos os interessados na história do Brasil, de um modo específico, para as pessoas que ainda acreditam no patriotismo, no amor à Pátria, no culto de nossos valorosos heróis. Tiradentes, um mártir que foi condenado e enforcado por um nobre ideal, que nos acompanha até hoje- “ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil’. Também, nesta data, foi anunciada, oficialmente, a morte do Presidente Tancredo Neves, um grande homem público. Dr. Tancredo acreditava, profundamente, nos ideais democráticos; foi um gigante na luta pela redemocratização do país. Muitos se perguntam se valeu a pena todo esse empenho, haja vista a confusão geral, a corrupção disseminada nos Poderes, provocando-nos o questionamento se vale a pena a Democracia. À medida que a Operação Lava Jato vai se desdobrando, novos nomes vão surgindo, deixando-nos profundamente decepcionados com o inescrupuloso assalto que fizeram ao dinheiro público. Um conjunto de delações entrelaçados, com um enorme potencial de consequências, novos nomes, deixando a opinião pública estarrecida. O próprio Palocci, ministro todo poderoso de Dilma/Lula afirmou que “se abrir a boca, o Juiz Moro, terá, pelo menos, mais um ano de trabalho”. A situação ainda está imprevisível, pois, não se sabe o resultado do depoimento e acareação do Lula, em Curitiba, agora, no inicio de maio. Quase concluído um terço do ano, ainda não temos uma visão clara sobre o presente ano. A inflação está controlada, o câmbio está estabilizado, porém a atividade econômica não está dando um sinal de recuperação. Sabemos que o “fundo do poço” já foi atingido. Porém, o grande desemprego permanece, mais de doze milhões de desempregados, uma classe média endividada, e a falta de grandes investimentos, não permitem vislumbrar um “arranque” imediato da economia. Alguma definições ainda estão sendo aguardadas : as reformas trabalhistas e previdenciárias, o desfecho da Operação Lava Jato, o comércio internacional diante das crises recentes e as consequências da Operação Carne Fraca, que abalou a credibilidade de nossos produtos. Tenho repetido, em artigos anteriores, que é muito importante que todos esses impasses sejam resolvidos, dentro do quadro da normalidade democrática. Não podemos ceder em nenhum momento às tentações autoritárias, aos possíveis golpes, e que as eleições do ano que vem, transcorram dentro dos moldes da justiça eleitoral. No mais, devemos sempre lembrar a frase do Almirante Barroso, na Guerra do Paraguai, “o Brasil espera que cada um cumpra com o seu dever”. Nós, catarinenses, já somos conhecidos e respeitados por nosso empreendedorismo, nossa capacidade de trabalho e a força para “dar a volta por cima”. Seremos uma grande nação, o sacrifício de Tiradentes e de Tancredo Neves, não será em vão. Porém, a faxina pública tem que ser feita, executada até o fim, para que a população aceite e apoie o desfecho. Limpos e transparentes, retomaremos o rumo!

Célio Furtado é professor da Universidade do Vale do Itajaí e consultor organizacional de empresas.

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