A honestidade | Diene Paula Figueiredo

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Foto: acervo pessoal

Eu tive o prazer e a oportunidade de conviver com meus bisavós (e isso não quer dizer que sou velha, apenas que eles viveram muito). Minha bisavó, uma mineirinha tranquila e amável, de cabelos grisalhos e muito longos que cheiravam a talco de alfazema. Com a voz doce e baixinha, sabia, como ninguém, domar o mais xucro dos homens apenas com um olhar e meia dúzia de palavras. Em um acidente caiu de uma carroça e quebrou a bacia. Muito longe de hospitais, e sem recurso financeiro, curou-se em casa e ficou assim, meio tortinha, e com o andar vagaroso. Meu bisavô, nascido na Ilha da Madeira, um típico português em identidade e costumes, veio para o Brasil ainda muito novo e, na mala, apenas um formão, um arco de pua e o oficio que herdou do pai: a construção de carroças e charretes.

Servo fiel e temente a Deus, membro assíduo de uma religião muito rígida, em sua casa, toda de madeira, feita por ele mesmo, não tinha televisão, nem rádio, mas, em compensação, tinha um pomar e uma horta enorme.

Um homem muito honesto, justo e conhecido pelo seu caráter imaculado, que nunca deixou de cumprir com sua palavra, mesmo que isso lhe custasse caro. Sem estudo algum, severo, bravo e até um pouco ignorante, criou os filhos com mãos de ferro, e estes mesmos sempre comentavam como a mãe, muitas vezes, os salvaram de uma boa coça de vara de marmelo.

Confesso que nunca vi esse lado de meu bisavô, pois, a velhice, além das dores no corpo, traz também experiência, benevolência, arrependimentos e, talvez, por isso, eu não tenha presenciado essas manifestações de grosseria e estupidez. Guardo comigo lembranças de tardes em família, e parece até que ainda sinto o cheiro de manga recém colhida, café torrando em uma trempa e chá de hortelã borbulhando no fogão à lenha.

É inacreditável a mudança de valores que acorreu em nossa sociedade. É inacreditável que hoje, o que se firmava antigamente com um aperto de mãos necessite de intermináveis páginas de papel. É inacreditável que hoje, o lucro que antigamente era dividido igualmente entre as partes necessite de auditoria fiscal. É inacreditável que hoje, o que se baseava em acordos de homens de palavra necessite de testemunhas.

É triste ver como a desonestidade se torna cada dia mais natural e como as pessoas acham graça da moça do caixa ter entregado o troco a mais, ao invés de envergonhados por levar o que não lhes pertence se sentem muito à vontade, afinal, o mundo é dos espertos, não é?

Não. Prefiro acreditar que o mundo é de pessoas como meu bisavô, que mesmo sem estudo nenhum, nunca errou um troco nem para mais nem para menos.

É ridículo (uso essa palavra porque, com certeza, minha mãe não aprovaria a palavra que esta em minha mente) que uma parcela considerável da população consiga votar em corruptos e ladrões e ainda pensem estar ajudando o país a não regredir; que em escolas aquele que se opõe à palhaçada é agredido, verbal e fisicamente; que dentro de universidades você seja obrigado a se calar e a fingir que está de acordo com toda a podridão instalada no ensino para sobreviver aos 4 ou 5 anos de tortura medieval e, talvez, se tiver sorte, sair de lá apenas com alguns arranhões sem ter a alma empalada ou a moral cortada à força na forca.

Vamos à luta, juntos somos mais fortes, juntos aprendemos mais, juntos não seremos vitimas de partidos políticos.

Em tempos extremos precisamos de medidas extremas.

Educação sem partido já.

Junte-se à nós nessa luta pela volta do bom senso e da educação de verdade.

A autora é formada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), licenciada em Normal Superior, pós-graduada em Educação Especial com ênfase em “Atendimento às Necessidades Especiais” pelo Instituto de Estudos Avançados e Pós-  Graduação (ESAP) e membro do Movimento Conservadorismo Estudantil (MCE).

Quer escrever para a autora? E-mail: 
dienepfigueiredo@gmail.com

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